quarta-feira, 29 de abril de 2020

O professor começou a aula, do dia 27 de abril, contando o processo histórico da oralidade e da escrita, e começou falando que a principal ideia da escrita era fazer registros e não transmitir informações, a principal maneira de transmitir informações era a fala, onde as pessoas ouviam aulas e precisavam decorar o que estava estudando com o professor. Que inclusive, Platão, o filósofo grego, lamentava sobre a escrita, ele falava que antes precisava pensar e decorar as informações faladas, e depois do livro e da escrita, as pessoas liam e não absorviam o conteúdo dos textos.
Professor Leandro após essa breve explicação, começou a falar sobre como surgiu a escrita:
A escrita foi inventada pelos sumérios, e ela era usada como instrumento de administração e comércio, para tomar notas de transações, e a escrita era feita com argila e eles furaram, faziam números para indicar mercadorias.
Após isso, o professor falou sobre a importância da escrita, relatando que a música popular antiga foi toda perdida por não ter nenhum registro sobre ela, e um exemplo foi que os instrumentos de músicas gregas foram reconstruídos, menos de de uma década atrás, por acharem documentos com notações vocais de como soavam os instrumentos. Professor mostrou para nós um documentário sobre a reconstrução desse instrumento e como era o som dele. O professor falou de Homero e mostrou um vídeo de seu poema tocado com uma cítara.

O professor mostrou outro vídeo para a sala, com a escrita e a oralidade mas voltada no âmbito da educação. O vídeo começa coma a fala do Linguista Luiz Antônio Marcuschi falando que: "Em fato ninguém pode esquecer, todos falam e alguns escrevem.". Luiz Marcuschi ressalta que tanto a oralidade e a escrita são fundamentais, são duas maneiras das pessoas organizarem seus discursos, praticarem suas interações do dia a dia, sem que uma seja mais importante que a outra, ambas são práticas discursivas que não concorrem e não competem, ambas são complementares e são utilizadas harmonicamente no dia a a dia. Ele comenta sobre as marcas conversacionais individuais de cada indivíduo, por exemplo, se alguém fizer um discurso provavelmente poderíamos responder se essa pessoa é jovem ou velha, se ela pertence a região sul ou norte do país, qual a provável idade da pessoa, se ela tem um nível de escolaridade alto ou não, mas se essa mesma pessoa escrever um discurso, não poderíamos responder nenhuma dessas perguntas, por causa que a fala deixa marcas conversacionais. Marcuschi encerra a primeira parte do vídeo falando que se deve ensinar que a oralidade e a escrita são duas práticas discursivas que precisam ser contextualizada, e que há confusão nos livros didáticos com a "situacionalidade", pois a fala tem um envolvimento situacional, pois temos linguagens corporais, como: apontar, fazer movimentos com as mãos, fazer um sinal. E logicamente, essas coisas não poderia fazer na escrita.

Após termos terminado de visto a primeira parte do vídeo, o professor começou a ler conosco o texto: Análise da Conversação, de Ângela Paiva Dionísio.
O texto começa basicamente perguntando: "Como a linguagem é estruturada para favorecer a conversação?", após essa pergunta o livro fala sobre Hilgert, que no qual aponta três níveis de enfoque da estrutura conversacional:
  1. Macronível: estuda as fases conversacionais, que seria a abertura, fechamento e a par central, e o tema central e subtemas da conversação. Exemplo: como se começam e terminam as frases, como em uma conversa você sinaliza que terminou seu turno de fala;
  2. Nível médio: investiga o turno conversacional, a tomada de turnos, a sequencia conversacional, os atos de fala e os marcadores conversacionais, ou seja, mostra como um assume a voz, e outro assume a voz depois, e o uso de marcadores conversacionais;
  3. Micronível: analisa os elementos internos do ato da fala, que constituem sua estrutura sintática, lexical, fonológica e prosódia. Há várias marcas de elementos que constituem em uma conversação, um interrompimento de fala e o tom de voz (prosódia) é um exemplo.
Depois o texto comenta sobre "Tópico Discursivo", que seria basicamente definido como uma atividade em que há uma correspondência de objetivos entre os interlocutores, e em que há um movimento dinâmico da estrutura conversacional, fazendo com que o tópico seja um elemento fundamental na constituição do texto oral. 
A organização tópica compreende duas propriedades básicas:
  1. Centração: é o conteúdo, o assunto, tema da conversação;
  2. Organicidade: é a relações de interdependência que são estabelecidas entre os tópicos de uma conversação.
O texto também acaba falando da conversa espontânea, que vai se construindo com cada intervenção dos interlocutores, ela vai se produzindo simultaneamente no mesmo eixo temporal, e é uma atividade que nunca consegue se prever com exatidão o sentido que o parceiro de conversa vai orientar a intervenção.
Depois disso, o texto começa a falar um pouco mais sobre empregos de enunciados, tipo: "isso me lembra", "por falar em", "mudando de assunto", "voltando ao assunto" é um enunciado que sinaliza que estamos compartilhando cognitivamente da interação da conversa, ou um "desculpe interromper, mas..." quando quisermos ser inseridos como participantes da conversa.

Marcushi fala sobre "uma conversação fluente é aquela em que a passagem de um tópico a outro se dá com naturalidade, mas é muito comum que a passagem de um tópico a outro seja marcada". A estrutura tópica serve como um "fio condutor de organização discursiva", pois defini os processos de entrosamento e colaboração entre os falantes na determinação dos núcleos comuns, ou seja por exemplo: você tem um tópico, começamos pelo tempo (clima), e ao longo da conversa outros tópicos se encaixam na conversa, você fala de sair na rua, e após isso fala da COVID-19, mas pode haver uma mudança brusca de assunto.

Após a volta do intervalo, o professor voltou a retomar sobre o texto, vimos como é feita as marcas de transcrição de conversas não verbais, e logo vimos o tópico: "Como a conversa se organiza?". E o texto começa falando que desde pequenos aprendemos uma regra básica de Análise da Conversação, que é falar um de cada vez, que isso é esperar a ocorrência de um lugar relevante para a transição, ou seja, esperar por pausa, um sinal que a pessoa terminou de falar, um convite pra pessoa falar, ou até mesmo o silêncio. 
A primeira ideia de organização de turnos conversacionais foi o de Sacks, Shegloff & Jefferson, para eles, a noção de turno engloba dois sentidos:

  1. Distribuição de turno, que é que todo locutor tem o seu direito de fala;
  2. Unidade construcional, que seria que toda fala elaborada no momento em que um indivíduo toma a palavra e se torna falante.
Com base nisso, pode-se definir turno conversacional como cada intervenção dos interlocutores formada por uma unidade construcional, por exemplo: uma palavra (uhum, ah, hm), sons. Lembrando que Marcuschi considera a possibilidade de silêncio, mas não considera turno como a "produção do ouvinte durante a fala de alguém, embora isto tenha repercussão sobre o que fala".

O próximo tópico do texto seria: "Como se organizam as sequências nas conversação?", onde vimos que o Urbano et al. (1993) abordam essencialmente dois tipos de perguntas: 
  1. Perguntas abertas: perguntas no qual a resposta precisa ter uma informação;
  2. Perguntas fechadas: perguntas que as respostas serão de "sim" ou "não".
O próximo tópico é o "É bom falar sobre marcadores conversacionais, não é?", que é sobre os traços característicos da fala, as formas em que se apresentam os Marcadores Característicos linguísticos, eles podem ser divididos em quatro grupos:
  1. MCs simples: realizam apenas um item lexical. Exemplos: "mas", "éh", "olha", "exatamente", "aí", "então", etc;
  2. MCs compostos: realizam-se como sintagmas, geralmente estereotipados. Exemplos: "sim mas", "bom mas aí", "e então", "tudo bem mas", etc;
  3. MCs oracionais: realizam com pequenas orações. Exemplos: "eu acho que", "sim mas me diga", "porque eu acho que", etc;
  4. MCs prosódicos: realizam-se como recursos prosódicos. Exemplo: entonação, pausas, hesitação, tom de voz, e geralmente acompanhados por algum MC verbal.
O tópico a seguir do texto seria o "Como se constrói a compreensão no texto falado?", que relata que de acordo com Marcischi: "admite-se, hoje, que a compreensão, na interação verbal face a face, resulta de um projeto conjunto de interlocutores em atividades colaborativas e coordenadas de co-produção de sentido e não de uma simples interpretação semântica de enunciados proferidos", ou seja, a pessoa não está só transmitindo informações, ela está criando sentindo na própria interação. O tópico também destaca as atividades de propostas de como as pessoas mantém uma comunicação:
  • Negociação;
  • Construção de um foco comum;
  • Demonstração de (des)interesse e (não-)partilhamento;
  • Existência e diversidade de expectativas e as marcas de atenção.
Após isso o professor mostrou para nós a segunda parte do vídeo "De fala para a escrita com Marcuschi", agora com a fala de Ângela Dionísio, a mesma autora do texto que estávamos analisando falando com o Luis Antônio Marcuschi sobre como a fala e a escrita são multimodais. Que por nós nos comunicarmos com o nosso corpo, por gestos e sons, claramente conseguimos ver as intenções da pessoa. A Escrita consegue também ser multimodal, não somente trazendo imagens e gráficos, pois a disposição gráfica de um texto mostra o que ele é, por exemplo, a professora Ângela Dionísio mostrou um texto em língua arábica, mas por ter imagens seguidas de textos, e ter um link de algum site na parte superior, já daria pra supor que é um texto vindo de um site de notícias da internet, e daria pra falar que não é uma notícia vindo de um jornal impresso. 
E na terceira parte do vídeo, ambos comentam sobre até mesmo como a publicidade foi evoluindo com isso, e eles citam os outdoors, que o mais se encontra em outdoors atualmente são imagens, símbolos e figuras e o que menos se encontra é escrita alfabética, como na oralidade a gente faz isso só que com gestos, a gente transmiti isso com formas de movimentando para falar o que estamos pensando. A professora Ângela Dionísio comentou também sobre a troca de turnos, de como ela tentou interromper o turno de fala de Marcuschi e não teve sucesso, e isso na escrita não teria como realizar, pois a escrita é algo pessoal, você decide quando decide interromper um capítulo e continuá-lo. 

Após termos vistos esses vídeos, o professor retomou com o texto Análise da Conversação, para finalizarmos a aula. Voltamos na parte do texto onde quais eram as atividades que faziam manter uma comunicação, e começamos a falar sobre a negociação:
A negociação é "aspecto central para a produção de sentido na interação verbal enquanto projeto conjunto". Marcuschi chama a atenção para o fato de que "nem tudo é negociável", como não negociamos crenças e nem convicções.
Após a negociação, partimos para a o segundo tópico dessas atividades, que é a "Estratégia 2: construção de um foco comum". Marcuschi fala "numa interação face a face, a base do sucesso das trocas é a presença de interesses comuns e referentes partilhados, previamente existentes ou construídos no processo de interação", basicamente é um tema, como tópico discursivo que acabe fazendo todos os interlocutores interagirem na conversação. 
O próximo tópico das atividades é a "Estratégia 3: demonstração de (des)interesse e (não-)partilhamento", que basicamente é a falta de interesse em certos tipos de conversa, até as marcas conversacionais mudam, se tornam mais sérias e curtas.
O tópico 4, que seria "Estratégia 4: existência e diversidade de expectativas", que o texto explica sobre as expectativas prévias, como ensaiar o que vamos dizer, como iremos dizer, simulamos uma resposta do nosso interlocutor, e quase sempre esses ensaios não servem para nada no momento real da interação. A interação é um "jogo com regras dinamicamente escolhidas, por isso é um jogo perigoso: nem sempre se escolha a regra certa". 
O último tópico: "Estratégia 5: marcas de atenção", que são basicamente o uso de marcadores conversacionais que usamos durante uma conversação, como: traços prosódicos (entonação, mudança da altura de som, alongamentos vogais), o uso de gestos, das expressões faciais e de risos, isso são marcas que informam ao falante que estamos compreendendo e prestando atenção no que está sendo dito.

O professor encerrou a aula comentando que é importante nós sabermos sobre Tópico Discursivo e Turno Discursivo, pois são conceitos fundamentais da Análise da Conversação.


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